Encontro dia 25/06 – Sentimento e Vibração
“Brilhe vossa luz diante dos homens.” Jesus
Hoje o tema de nosso encontro foi o sentimento e vibração na dança.
De acordo com Alves (2000) “O sentimento é foco gerador de energia emuladora, que, qual dínamo gerador de vibrações superiores, atingirá o coração, o sentimento, estimulando as qualidades superiores dos que estão em seu raio de influência, levando-os a seguir o exemplo, a imitar, não mecanicamente, mas atraído pela força emuladora que emana do próprio coração.”
Refletimos sobre o assunto, concluindo sobre a necessidade do esforço diário para acender nossa luz íntima.
Após as reflexões fizemos atividades de consciência corporal, coordenação e criação. O clima alegria e entusiasmo, você confere nas fotos abaixo:
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Para pensar…
Entrevista
ELAINE LOPES
Elaine de Carvalho Dias Lopes é natural de São Paulo, mas reside em Santos desde os 7 anos (SP). Atriz profissional, com formação no CPT (Centro de Pesquisas Teatrais) e educadora. Palestrante e oficineira, participou de vários eventos, como o FECEF, FAE, Fórum Nacional de Arte Espírita, Congresso Espírita de Goiás e Notame, ministrando palestras, cursos e oficinas. Organizou a Mostra de Arte Espírita Maria Máximo e o Encontro Poético Jerônimo Mendonça. Fez inúmeras palestras e oficinas de arte fundamentadas no Projeto Evangelização dos Espíritos, de Eurípedes Barsanúlfo, em várias cidades de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro. É ilustradora do livro “Corpo, oficina de luz”, de Giselli Negrão, e dos CDs “Música, Ouvido e Flores” e “Música e Poesia para Bebê”, de Moacyr Camargo. Atualmente, preside o Centro Espírita Seara do Amor, em Santos. É associada da Abrarte desde abril de 2009.
1. Como você começou seu trabalho com arte espírita?
As minhas primeiras experiências com a arte foram espíritas, em evangelização e mocidade. Cresci no Centro Espírita Ismênia de Jesus, aqui em Santos. É uma casa espírita que tem tradição com a arte, pois foi fundado por uma atriz portuguesa, Dona Maria Máximo.
2. Poderia falar um pouco sobre a história desta casa espírita e sua fundadora?
Dona Maria Máximo era uma atriz portuguesa casada com o ator Miguel Máximo, e tinham uma companhia, o TrioMax. Estavam em turnê pelo Brasil, quando aportaram em Santos, onde Dona Maria Máximo viu sua mediunidade eclodir. Encaminhada para o Centro Espírita Anjo da Guarda, foi iniciada no conhecimento da Doutrina Espírita por Benedito Junior. Desde então abandonaram seus ofícios teatrais e abriram a Casa dos Pobres, o Centro Espírita Ismênia de Jesus, fazendo da caridade seu novo palco de atuação. Obtiveram um sucesso retumbante!
3. Como você define a arte espírita?
Uma arte feita por Espíritos Espíritas.
4. A arte espírita tem alguma especificidade, no seu conteúdo, no seu modo de fazer, na sua proposta, que a difere da arte no geral?
“A boca fala do que está cheio o coração”. Tanto o seu conteúdo, quanto a postura dos artistas que a realizam precisam dar testemunho de seu compromisso com o Evangelho de Jesus e com a Doutrina Espírita.
5. Como o trabalhador da arte espírita deve agir para não se deixar levar pela vaidade e pelo orgulho?
Ser um trabalhador da casa espírita, aceitando a rotina da caridade, das reuniões de Evangelho e de estudo de Doutrina Espírita da casa. O conhecimento espírita e a ação no bem muito vão nos ajudar a mudar nossos quadros ligados à vaidade por experiências na humildade de servir anonimamente. Levar nossas conquistas no belo para amenizar a solidão dos idosos no asilo, o abandono das crianças no orfanato, ou alegrar um pouco a pobreza são outras formas de rimar arte com caridade, onde ontem rimamos com vaidade.
6. Na sua opinião, o artista profissional que é espírita pode desenvolver trabalhos artísticos de conteúdo doutrinário e ser remunerado por isto? Ou ele deve, em seu exercício profissional, se abster de falar de Espiritismo, e tratar de temática espírita apenas nas situações em que ele se apresente gratuitamente, em eventos ou centros espíritas?
Eu nunca me absteria de dizer que sou espírita. Com relação a receber ou não, isto depende do compromisso de cada espírito. Que cada artista reflita o que veio fazer na arte nesta encarnação e passe suas escolhas pelo crivo da sua consciência.
7. Você tem destacado a importância do centro espírita como a oficina de trabalho para o desenvolvimento do ser humano na sua integralidade, principalmente na dimensão espiritual. De que forma a arte pode ser usada no contexto da casa espírita?
Toda experiência que tive até agora neste sentido vem da proposta da Evangelização de Espíritos, trazida por Eurípedes Barsanulfo. Neste contexto, a arte na casa espírita é um poderoso recurso de Educação do Espírito. Corrigindo tendências, redirecionando energias em direção a nossa meta: Brilhe a vossa Luz!
8. Poderia comentar sobre esta proposta da arte na evangelização dos Espíritos, como preconizava Eurípedes Barsanulfo?
A evangelização de Espíritos é um método de educação apresentado por Eurípedes Barsanulfo, totalmente voltado para atender as necessidades do Espírito, com a finalidade de dar progresso ao pensamento e ao sentimento. E a arte oferece os mais ricos mecanismos de evolução destas potencialidades. A arte tem uma finalidade grandiosa na vida do Espírito. Promove um estado de alegria que dulcifica seus pensamentos! Renova os quadros de memória de forma prazerosa. E é uma atividade mediúnica natural onde o plano espiritual interage, promovendo mudanças no pensamento e levando o Espírito a refletir na sua postura. Na evangelização de Espíritos os trabalhos artísticos de uma casa espírita, seja o coral, a oficina de teatro ou as apresentações, são avaliados em seu grande papel no processo de educação e renovação dos que dele participam. Para tanto o coordenador destas atividades é o trabalhador compromissado com a evolução dos que conduz. Avaliando se a obra que irá ser cantada ou encenada tem valor para a Evangelização daquele Espírito.
9. Qual a contribuição da arte espírita para a sociedade?
Na minha opinião, da arte gerada por espíritos espíritas em regeneração virão as mais belas obras de arte já trazidas na humanidade até agora! Aguardemos o tempo. Estamos apenas na alvorada!
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4º Encontro Presencial
No último encontro presencial (14/04) o tema de estudo foi ” Dança e Espiritismo – Aspectos históricos”.
A exposição foi realizada por Daniela Soares, seguida de práticas que envolveram a análise da qualidade do movimento, fundamentada em Rudolf von Laban.
Além disso, foram desenvolvidas atividades de contato-improvisação.
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ENTREVISTA
‘Arte se faz com trabalho em equipe’
Germana Magalhães Carsten é natural de São Paulo (SP) mas transferiu-se para Brasília (DF) desde o primeiro ano de idade. Administradora de empresas, pós-graduada em Sistema de Informações – TI, atua profissionalmente no serviço público federal. Estuda artes e piano na Escola de Música de Brasília. Foi coordenadora de atividades assistenciais, oradora, orientadora fraterna e diretora de estudos doutrinários da Comunhão Espírita de Brasília, onde desenvolveu vários projetos, com destaque para os Seminários das Coleções Clássicas, nos quais os alunos do ESDE montavam peças teatrais para interpretar as obras espíritas. Atualmente, é membro do Conselho Diretor da Comunhão Espírita de Brasília e dirigente do Grupo Teatro Vida (GTV). É associada da ABRARTE desde janeiro de 2011.
1. Como você começou seu trabalho com arte espírita?
Exercendo a função de dirigente de turma do ESDE, fase 1-A, inicial, que sempre foi minha preferência. Gosto de trabalhar com os iniciantes. Ao realizar pesquisas para adoção de técnicas didáticas para melhor ministrar os temas doutrinários, vi que a arte se apresentava como alternativa eficaz de fixação do aprendizado. Assim, no esforço de melhor transmitir a mensagem espírita, adotava, quase sempre, a dramatização. Frequentemente, ministrava como trabalho de conclusão de curso a montagem de uma peça. Para motivar os alunos, convidava os dirigentes da instituição para assistir à montagem. O resultado sempre surpreendia a todos. Um desses grupos de formandos aceitou nosso convite para fundar um grupo de teatro para montar palestras interpretadas não somente para os integrantes da fase inicial, mas para todos as demais fases de estudos, no final de cada semestre. Assim nasceu o GTV (Grupo de Teatro Vida). A arte, por sua capacidade de otimizar o aprendizado na formação do Espírita, mostrou-se uma escolha acertada. Depois de cinco anos no aprendizado de escrever roteiros e dirigir, na falta de quem tivesse mais disposição para tal, tomei gosto e me afeiçoei com alegria íntima à tarefa. Então busquei pesquisar, fazer cursos e aprender a escrever e dirigir, não mais pela ausência de quem o fizesse e sim por amar esta habilidade que brotou em minha vida pela vontade firme de levar ao demais uma filosofia que há trinta anos burila minha alma na direção do bem. Atualmente, estamos trabalhando para institucionalizar a Diretoria de Artes na Comunhão Espírita de Brasília, onde cada arte terá uma divisão bem estruturada para representá-la, propiciando assim unir os artistas da casa espírita que frequentamos, no propósito maior de trabalhar sua transformação moral através da arte, enquanto divulga com fé e alegria a mensagem espírita.
2. O musical Chico Xavier, o anjo das escritas iluminadas, que você concebeu e dirigiu, foi uma inovação em termos de trabalho artístico espírita. Poderia nos falar sobre a experiência desta produção?
A palavra inovação atende bem à montagem desse musical. A inspiração forte de que a vida do mentor espiritual do GTV – Chico Xavier – deveria ser um musical se apresentou desde o início. Embalada por esta ideia, percebemos que na Comunhão existiam os artistas que poderiam dar suporte a um projeto de tamanha envergadura, onde as quatro artes – teatro, musica, dança e audiovisual – se integrassem para compor um musical. Então, realizamos reuniões com esses especialistas em cada modalidade artística. Uma vez aceito os convites, criamos as diretorias Cênica, Musical, de Coreografia e a Produtora Vida, com o Núcleo Audiovisual do GTV, que assumiu toda a parte de sonoplastia, imagens e produção de vídeo. Uma vez definidos os lideres de cada área, sentamos para pesquisar e roteirizar o musical, que foi escrito conforme ia sendo montado. Inicialmente fizemos a estrutura da historia para definir os personagens principais – Chico em três fases distintas, Maria João de Deus, Emmanuel e os mentores, José Hermínio, Carmem Pena, João Cândido, os irmãos, Eurípedes, Manuel Quintão, Guillon Ribeiro, Cidália, Dinorá, Vivaldo e os dançarinos, que foram selecionados em audições abertas realizadas ao longo de três meses, onde no mínimo os candidatos teriam que atender a pelo menos uma das artes – cantar, interpretar ou dançar. Os demais integrantes do elenco, para os papeis secundários, foram selecionados em audições eventuais, conforme as cenas iam sendo escritas, contendo trechos interpretados por músicas, acompanhados por coreografias. Os argumentos que contextualizavam musicalmente as cenas eram enviados aos compositores. Uma vez criada a canção, o diretor musical fazia gravação no estúdio e disponibilizava para os atores-cantores ensaiarem e para as coreografas montarem as danças, contextualizando a canção e a cena como um todo. O último dos três atos que compõem o musical foi escrito depois de um ano de ensaios. Escrevemos a primeira linha do roteiro em outubro de 2009 e a estreia se deu em 29 de abril de 2011, no Teatro Nacional de Brasília. Foram meses de dedicação exclusiva ao projeto, que exigiu de todo elenco, especialistas, contra-regras, figurinistas e até dos doadores financeiros comprometimento, engajamento e amor à causa espírita. O resultado e os efeitos positivos, extraordinários em algumas situações, retornaram como chuvas de bênçãos sobre todos nós. Se revelados, poucos acreditariam. O elenco atribui esses momentos a uma conexão sublime com a Espiritualidade Maior, onde a transformação pessoal se efetivou em graus profundos nos integrantes do espetáculo, e à aura de luz que emana de Chico Xavier, preposto do Senhor na Terra.
3. Este musical reuniu mais de 40 artistas espíritas, entre atores, músicos, cantores e dançarinos. Como lidar com tanta gente num único espetáculo?
Nossa experiência com turmas de 80 a 120 alunos do ESDE durantes 15 anos, com certeza, fez a diferença e nos deu coragem para enfrentar o desafio de começar o projeto envolvendo tantas pessoas portadoras de talentos maravilhosos, como também conflitos íntimos inenarráveis. Em alguns casos, acompanhamos diretamente seus tratamentos nos grupos de tratamento espiritual em nossa casa, a fim de soerguer o voluntário, para que ele não desperdiçasse a oportunidade bendita de servir na Seara do Senhor como artista. A arte também cura. Desenvolver esse projeto e terminá-lo num padrão aceitável para levá-lo ao público, exigiu que confiássemos, ponderássemos e dividíssemos tarefas com a equipe de líderes que ombreou conosco este musical, sem o quê, teríamos ficado somente nos primeiros passos de uma bela intenção. Arte se faz com trabalho em equipe. O número exato de componentes oscilou entre 40 a 45 integrantes do elenco e 52 pessoas envolvidas no total, contando os diretores de cada área especifica e o apoio logístico – cenógrafo, estilistas, maquiadores, contrarregras, técnicos de som, imagem e iluminação.
4. O que mudou no GTV depois da montagem do musical do Chico Xavier?
A visão de grupo. Ao realizar a audição aberta apareceram representantes de outros centros espíritas. Acolhemos, realizamos os testes de canto, interpretação e dança para selecionar candidatos com alguma experiência nas três formas de arte que o musical demanda. Selecionamos os candidatos orientados pelo perfil de cada personagem. Numa segunda etapa, os candidatos interpretaram entre si, num clima harmonioso e de muito respeito, até chegarmos aos que melhor atendiam os perfis dos personagens da peça. Ao final do processo, ficamos surpresos com os resultados. Os três Chicos eram de centros espíritas diferentes. Nestes dois últimos anos, por contingências da vida, fomos obrigados a substituir o ator que interpreta Chico aos 70 anos por três vezes. E permanece o fato de ele ser de centro espírita diferente dos outros dois, levando-nos a perceber a fraternidade que deve reinar dentro do movimento espírita, enquanto comunidade ativa e dinâmica, com uma rede social laboriosa e atuante. Atribuímos essa nova fase à providência divina, como um chamado. Sem planejar e nem mesmo ter experiência em trabalhar com artistas de outras comunidades, quebramos os limites da instituição, arrebanhando gente de outro centro espírita. Até a montagem do musical do Chico, existia uma resistência grande dentro do GTV em se abrir para novos integrantes, mesmo dentro de nossa casa espírita. Hoje, o musical conta com nove artistas de outras casas espíritas. A amizade e a solidariedade entre os integrantes do projeto é uma benção em nossas vidas. Após a experiência com o musical, ampliamos nossa busca para conhecer e confraternizar com outras comunidades espíritas, especialmente através da Federação Espírita do Distrito Federal (FEDF) e a própria ABRARTE, onde fizemos bons amigos. Hoje já nos apresentamos em outras casas e fomos convidados para apresentar três esquetes no II Congresso Espírita do Distrito Federal, consagrando o aprendizado do amor universal.
5. Outra proposta inovadora dentro da área de dança, que você vem desenvolvendo ultimamente, é o sapateado. Como trabalhar essa modalidade artística para divulgar a Doutrina Espírita?
Como todos os demais estilos, contextualizando-o dentro da mensagem espírita, com a responsabilidade de passar a mensagem doutrinária através da coreografia produzida. No musical, a cena da obsessão de Maria da Conceição demonstra seus perseguidores através do som do sapateado, para dar o efeito desejado a uma legião de espíritos na forma de morcegos marchando. Com o desenrolar do musical, procurando não reduzir o sapateado a uma cena de opressão e sofrimento, resolvemos encerrar a peça com uma coreografia, onde mentoras homenageando Chico Xavier dançam com leveza, ao som do sapateado. A dança, como qualquer outra arte dentro da doutrina, deve atender a um propósito maior – divulgar a mensagem espírita, despertando uma emoção capaz de exercer transformação pessoal. Dançar por dançar, podemos fazê-lo nas horas livres de lazer em qualquer outro lugar. Atendendo ao tempo precioso e sempre escasso dentro da casa espírita, qualquer tarefeiro deve primar por seguir as recomendações dos Instrutores Espirituais da Humanidade – aproveitar suas horas para implantar o bem na Terra através da divulgação da mensagem espírita-cristã. Prova dos novos tempos que já se iniciaram em apoio à arte dentro da comunidade espírita, ocorreu nos dias 13, 14 e 15 de abril, no Centro de Convenções de Brasília, onde se realizou o II Congresso Espírita do Distrito Federal, produzido pela FEDF com apoio da FEB. O GTV esteve presente em três momentos artísticos. Um deles, que muito emocionou os representantes das duas federações e o público presente foi a interpretação da cena que finaliza o musical do Chico, onde a mentora espiritual, interpretada por uma dançarina, executa com leveza e maestria o sapateado em homenagem ao médium mineiro que se fazia presente, caracterizado por um ator do grupo. A cena foi muito aplaudida, revelando aceitação do público que tinha representantes de vários estados brasileiros.
6. Fale-nos um pouco sobre o Grupo de Teatro Vida.
O GTV foi criado em 2003 com a finalidade de apresentar palestras interpretadas para os alunos do ESDE na Comunhão Espírita de Brasília. O objetivo era ilustrar, com criatividade e através da arte, as mensagens inseridas nas obras da literatura espírita. Com várias peças encenadas dentro e fora da Comunhão, consolidou um grupo de voluntários que trabalham segundo os princípios pétreos do Espiritismo, como o “dai de graça o que de graça recebestes”. Roteiristas, diretores, atores, contrarregras, cenógrafos, maquiadores, figurinistas, coreógrafos, músicos e bailarinos, entre outros, ofertam o seu tempo, talento e criatividade na elaboração de peças teatrais e na divulgação dos preceitos espiritistas contidos na Codificação de Allan Kardec e nas obras complementares. Nossos projetos artísticos que fazem parte do catálogo de peças teatrais espíritas, encenadas pelos alunos e professores selecionados entre os 3000 alunos e 170 dirigentes que laboram, estudam e integram a Diretoria de Estudos Doutrinários da Comunhão Espírita de Brasília. Já realizamos sete peças teatrais, um musical, três documentários, e um curta. As idades dos participantes variam entre 9 e 62 anos. Consequentemente, o nível de escolarização é do Ensino Fundamental ao Doutorado. Nossos ensaios se realizam aos sábados e domingos, raramente nos dias de semana. Nossas estreias acontecem sempre no palco da Comunhão Espírita de Brasília, e só depois saímos para outros centros ou teatros. As técnicas utilizadas são próprias das seis artes – teatro, música, dança canto, pintura e audiovisual.O GTV é composto por cinco áreas de atividades que interagem, formando um grupo coeso e bem estruturado: o Núcleo da Produtora VIDA, o Núcleo do Teatro VIDA, o Núcleo de Produção, o Núcleo de Dança e o Núcleo de Música.
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Preparem as sapatilhas: O Dia Internacional da Dança está chegando!
Faculdade de Dança da UFMG promove palestras e oficinas gratuitas na próxima semana!
Não fique de fora! Calce sua sapatilha e venha dançar com a gente!
| Entre os dias 23 e 28 de abril, o campus da UFMG vai dançar como nunca. É o Leve Arte, uma comemoração ao Dia Internacional da Dança. O evento é uma iniciativa das alunas do curso de Licenciatura em Dança da UFMG, em parceria com os professores, a coordenação, alunos dos cursos de Artes Visuais e Teatro (Artes Cênicas), além de professores e artistas convidados.A partir do dia 23 de abril (segunda-feira), os alunos do curso realizarão intervenções por diversas unidades do campus, até o dia 26 (quinta-feira). Nos dias 27 e 28 (sexta-feira e sábado) será realizada uma intensa programação, com oficinas, apresentações e palestras ministradas por profissionais renomados da Dança.O Leve Arte está em sua segunda edição. Celebrada em 29 de abril, a data foi instituída em 1982, pelo Conselho Internacional de Dança (CID), com o objetivo de atrair mais atenção à arte da Dança. Toda a programação do Leve Arte é gratuita. |
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A arte de escolher e outras reflexões…
Jaime Togores/Santos, SP
O termo arte ganhou entre tantos significados por extensão de sentido, ou metáforas, que entre eles seria algo que se faz com extrema habilidade, eficiência, técnica, “dom” e/ou prazer.
A arte de educar. A arte de cozinhar. A arte de falar. A arte de velejar. A arte de fazer isto ou aquilo que é neutra em si mesmo, podendo, porém produzir imenso bem ou desastroso mal.
A arte de saber fazer boas escolhas, tendo em vista nossa realidade espiritual, é algo que os espíritos maduros dominam com maestria, e na qual tentam a muito custo nos iniciar.
É a arte nova, arte de lidar com o livre-arbítrio, uma das mais recentes conquistas do Ser Espiritual, que já havia passado pelo aprendizado dos automatismos, dos instintos, das sensações, da consciência, dos sentimentos….
Os últimos momentos da vida de Jesus, como todos os acontecimentos da vida espiritual, são ricos neste aprendizado da arte de escolher…
E se as escolhas de cada um fossem outras? Como teria sido a história de Jesus na Terra?
Nesta Páscoa desde quinta-feira essas ideias me tomaram a mente num fluxo muito mais intenso do que pude registrar, mas registrei rapidamente para compartilhar uma ficção que eu acredito possa ser verdadeira em muitos aspectos: É possível educar o espírito com Arte. Arte na Casa Espírita: Desperte para a Arte e ela despertará você.
A arte do arrependimento ou A arte de educar pela sensibilidade (ou ainda – O despertar de Judas)

Em outras oportunidades, Jesus já havia anunciado aquilo que lhe aconteceria.
Naquele momento em que os judeus iriam comemorar mais uma Páscoa, ele pede a Pedro e a João para entrarem na cidade e achar o local ideal para aquela que poderia ser a última reunião com seus amigos mais próximos.
- Eis que, quando entrardes na cidade, encontrareis um homem, levando um cântaro de água; segui-o até à casa em que ele entrar.E direis ao pai de família da casa: O Mestre te diz: Onde está o aposento em que hei de comer a páscoa com os meus discípulos? Então ele vos mostrará um grande cenáculo mobilado; aí fazei preparativos.
E, indo eles, acharam como lhes havia sido dito; e prepararam a páscoa. E, chegada a hora, pôs-se à mesa, e com ele os doze apóstolos. (Lucas 22:10-14)
A casa escolhida por Jesus era de Josué, o artesão, exímio escultor e entalhador. Trabalhava com a mesma facilidade e agilidade a argila, a pedra ou a madeira.
Vendo os discípulos que não estavam sozinhos com o Mestre, surpreenderam-se.
Próximo à mesa onde se reuniram havia uma bancada com treze corpos entalhados na madeira com os trajes típicos da época, só faltando os rostos para diferenciá-los.
Enquanto Jesus vai conversando com seus discípulos certas amenidades e todos seguem preparando os ingredientes que seriam servidos, Josué com incrível precisão vai dando a definição nos rostos, começando por Jesus, magistralmente. Depois segue por Natanael, Tiago, Felipe, Judas Tadeu, André,….
Jesus começa a falar sobre os acontecimentos futuros. Há uma estranha sincronia entre sua fala e a arte de Josué que prende a atenção de Judas Iscariotes.
Todos os rostos estão definidos nesta altura e cada um dos discípulos, sorri para Josué, pois não tem nenhuma dificuldade para reconhecerem-se nas estatuetas que devem ter aproximadamente sessenta centímetros de altura.
O único rosto ainda por entalhar é o de Judas e isso lhe causa um impacto muito grande, pois Josué não dá sequencia ao seu trabalho.
Jesus diz que será traído. A fala cai como uma bomba na assembleia.
Mas quem? Perguntam-se uns aos outros…
Jesus fala a Judas: - O que fazes, faze-o depressa.
E nenhum dos que estavam assentados à mesa compreendeu a que propósito lhe dissera isto.
Porque, como Judas tinha a bolsa, pensavam alguns que Jesus lhe tinha dito: Compra o que nos é necessário para a festa; ou que desse alguma coisa aos pobres.
E, tendo Judas tomado o bocado, saiu logo. E era já noite. (João 13:27-30)
Jesus continuaria sua conversa com os amigos.
Judas atormentado vai caminhando a esmo pelas vielas de Jerusalém.
Sob um toldo estirado na entrada de uma residência, há um grupo de crianças e jovens que representam histórias que ele parece já ter ouvido. Agora sua atenção se fixa naquele grupo de teatro improvisado no palco da simplicidade.
Vê que na cena alguém é agredido e assaltado, fica caído no chão e pessoas passam pela vítima indiferente ao seu destino. O narrador esbraveja: – Vejam que todos os que passaram por esse pobre homem eram religiosos com trajes sagrados, mas nenhuma virtude.
Judas nem percebe e já está sentado na “plateia”, magnetizado pela cena.
Chega uma personagem que irá cuidar do homem…”os diretores do espetáculo” dão-se conta que esqueceram que esta personagem deveria ter um animal para colocar o homem e levá-lo a uma hospedaria. Mas reconhecem que nenhuma das crianças e jovens ali presentes conseguirá ser um burro de carga para o ferido que era, para azar de todos, o jovem mais corpulento do grupo.
Alguém olha para Judas e diz: - O senhor pode nos ajudar? Pode participar, sendo nosso burrinho?
Judas se lembra de sua militância política, da importância que dava ao poder, de como tentara fazer do mestre querido de Nazaré o Rei dos Judeus…
Uma criança vem pegá-lo pela mão e diz: - Vamos lá, só o senhor pode nos ajudar…
Ele se ajoelha, como um animal dócil…
Josué começa a entalhar o rosto de Judas… Jesus sorri….
Judas agora está dentro da história que ouviu.
Era a Parábola do Bom Samaritano sendo encenada.
As crianças riem satisfeitas. “Um dos diretores”, porém, tem uma ideia.
- Senhor, gostaria de experimentar a alegria da bondade? Vamos repetir e o senhor será o bom samaritano.
Como poderia? Ele era o único judeu dos doze? O único em que o problemas com os samaritanos era real? Como fazer tal papel? Mas Judas estava entregue à representação.
Tinha que encontrar os soldados para entregar o amigo.
Esquecera completamente.
Está ali diante do homem ferido a segurá-lo nos braços, sente sua dor, quer atenuá-la…Olha nos olhos do jovem em seus braços e vê o rosto de Jesus a suplicar-lhe auxílio. Seus olhos enchem de lágrimas.
Josué já define na madeira, com preciosismo, metade do rosto de Judas… Jesus se emociona e vai falando seu sermão profético aos amigos, conforme as escrituras narram.
As crianças abraçam Judas ao final da segunda apresentação.
- Puxa, como o senhor é um ótimo ator, nós vimos os seus olhos marejados.
Judas pensa na traição ao Mestre.
Seria este seu destino? Representar ser amigo e apunhalar pelas costas quem só lhe dera alegrias? Ser um ator na vida real, sempre parecendo ser algo que realmente não era?
Queria ser verdadeiro, fiel, mas precisava cumprir o que combinara com os soldados.
Josué para de entalhar… Jesus se entristece… e diz aos amigos:
- Levantai-vos! Vamo-nos daqui!
Judas se despede das crianças e elas o aplaudem entusiasticamente:
- Judas é o maior! Judas é o melhor! Volte e visite nossa CIA Teatral….
No conflito que lhe toma a intimidade da memória emergem as palavras do Mestre:
-“ Todo aquele que tornar-se qual uma criança entrará no Reino dos Céus.”
- “De que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a si mesmo.”
Chega nos arredores do templo onde os soldados estão a sua espera junto com os principais dos sacerdotes.
- Por que demoraste, infame? Pensa que estamos a tua disposição?
As tochas acesas para chegarem ao Getsêmani, onde Jesus disse iria estar após a ceia com os amigos, provocam o olhar de Judas.
- Eu sou a Luz do Mundo…, parece ouvir na acústica da alma.
Há uma coreografia intensa das chamas ao vento.
Elas se encolhem, quase se apagam e ressurgem novamente rumo às alturas. Enquanto a multidão anda em direção ao GetSêmani, Judas fixa-se cada vez mais na dança das luzes.
Agora parece que elas se inclinam para ele como a reverenciá-lo ou a convidá-lo para bailar livremente.
Não parecem apontar-lhe o rosto, mas miram seu tórax, como se quisessem atingir seu coração.
Ele sente o peito aquecer-se.
As chamas vão diminuindo, encolhendo-se, encolhendo-se… Já estão no Getsêmani.
Uma penumbra toma conta da paisagem, parecem que as chamas perderam sua vitalidade.
Judas avista Jesus. O combinado era beijar o Mestre, a fim de que os soldados pudessem identificá-lo e prendê-lo.
Os apóstolos acompanham o Cristo que anda serenamente ao encontro de Judas.
Josué pega um formão delicado em sua casa…
Jesus para em frente a Judas e pergunta:
- Amigo, a que viestes?
As chamas erguem-se ao céu e Judas vê este salto de esplendor através dos olhos fascinantes de Jesus.
Judas pode fazer um dueto com o Mestre, deixar-se conduzir por ele no tablado da existência.
Os guardas aguardam um possível beijo para realizar o que devem.
Judas decide:
- Procuro alguém que não vejo por aqui. Vamos embora! - fala aos guardas…
As chamas tornam-se gigantescas em cada tocha como se novo combustível as alimentasse…
Jesus olha para o céu, sorri largamente e aceita o quase inesperado desfecho.
- Há mais alegria no céu quando um pecador se arrepende. Voltemos para a Galiléia….!!!
Josué finaliza o rosto de Judas com sua habitual precisão.
Judas atira as trinta moedas que havia recebido aos pés dos religiosos do Templo e vai se integrar ao grupo de amigos para seguir rumo a Galiléia.
É ali que Jesus ensinaria nos próximos meses até um inesperado acontecimento.
Numa de suas andanças à beira do Lago de Genesaré quando acolhia e curava muitas daquelas pessoas simples, um moço, aparentemente, possuído por espíritos ignorantes, se atira sobre Jesus e fere-o mortalmente com uma espada, sumindo no meio da multidão. Os poucos apóstolos ali presentes se desesperam para socorrer o Mestre que sussurra as últimas palavras:
- Perdoem-no, ele não sabe o que faz!
Judas põem-se a correr atrás do assassino. Consegue avistá-lo já distante margeando a praia e segue-o motivado pela dor e pelo ódio o que lhe dá mais vitalidade.
Mas o jovem perturbado é bastante veloz também e se embrenha pela vegetação próxima ao Lago que vai aumentando de altura è medida que se distancia das águas.
Judas não quer voltar para ver o sepultamento do corpo do Mestre querido.
Montará guarda naquela região e não descansará até vingar-se.
Fora uma sexta-feira terrível.
Josué parte com as estatuetas rumo à Galiléia.
Dois dias se passaram.
Sem dormir, em permanente vigília e busca, Judas está abatido, cansado, alimentando-se mal com frutos silvestres.
No entardecer do domingo quando a sombra já domina o ambiente mais do que a luz, ele avista o jovem jogado ao solo perto de uma gruta.
Arma-se com uma pedra grande com a qual pensa em tirar a vida do assassino com um só golpe.
Quando levanta o rosto, após apanhar a pedra no chão, ele tem uma visão: é Jesus.
- Mestre? Então estás vivo?
- Judas, o que pretendes fazer?
- Vingar-te.
- Por que, se estou aqui contigo?
- Então não morreste, Senhor?
- Judas, largue a pedra. Quem por ela fere, por ela será ferido. Veja as anotações em seus pés.
Judas se surpreende com um rolo de pergaminho que lhe chega entregue pelo vento. Abre-o com expectativa e lê…
Quando Jesus falava
Entre brisas e flores…
Toda dor se dobrava
Às energias superiores.
Quando Jesus falava
E seus amigos nos acolhiam
Nossa alegria brotava,
Nossas dores diminuíam.
Quando Jesus falava
Que éramos todos irmãos
Sentíamos que Ele amava
Sob qualquer condição…
Amaria a quem agride,
A quem muito mal tem feito,
A quem traísse um amigo,
Ainda que com um beijo!
Judas ficou pálido. Nunca contara nada a Jesus dos planos que empreendera e dos quais desistira num último instante.
Teve uma crise de choro e desabou no chão.
Josué está percorrendo a borda do Lago de Genesaré com a estatueta de Judas e Jesus.
- Judas – inicia Jesus uma conversa, sentando ao seu lado – vês o nosso infeliz irmão ali, deitado. É ele vítima da própria ignorância que aprisiona, que gera agressividade, que animaliza. Lembra quando lhes falei e aos fariseus astutos a Parábola da Ovelha desgarrada…
Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e não vai após a perdida até que venha a achá-la?
E achando-a, a põe sobre os seus ombros, gostoso; E, chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.
Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. (Lucas 15:4-7)
- Mas esse homem te acompanhava sempre, como pode investir contra ti? Já não havia entendido tuas palavras? – assinalou Judas.
- Judas, Judas, nem sempre basta a inteligência das coisas. Nem sempre a razão será o definitivo argumento. Nem a lógica, nem a técnica. Acompanho-te os pensamentos há muito tempo. E por isso busquei colaborar contigo até os dias da emboscada arquitetada por ti, os religiosos do Templo e os soldados. Pedi para Pedro e João buscar o local ideal para nossa Ceia, para comermos a páscoa na casa de Josué, o valoroso artesão que vinha desde muito nos acompanhando em nossas peregrinações. Foi pela beleza de suas detalhadas esculturas que comecei a te sensibilizar. Depois partistes em conflito para me entregar e coloquei-te frente à frente com os jovens do teatro que te emocionaram e convidaram-te a envergar uma personagem que perseguistes a vida toda sem motivo – “os samaritanos”.
Judas chorava copiosamente.
- Quando decidistes avançar em teu plano, voltei a interferir, como fizera na noite tempestuosa do Mar da Galiléia, quando aplaquei os ventos e cessei a chuva para espanto de todos vocês. Agora manejava as chamas das tochas criando singular coreografia para mostrar-te como o bailado da luz espanca qualquer sombra. E quando me olhastes nos olhos e poupaste-me do beijo amargo, pensei que já estavas pronto.
Eis que agora este infeliz irmão me tira a vida física, não podendo extinguir-me por completo e vejo-te cheio de um ódio que pode cegar-te completamente por séculos…
Trouxe-te até os pés a poesia singela escrita por um ancião que vivia deprimido por ter atirado fora as forças da juventude em gozo e excessos e renovou-se diante de nossa atitude de amor incondiciona,l e que de alguma forma previra o que tu poderias ter concretizado, caso eu não lançasse a última ferramenta que tinha à disposição para reerguer-te dos pensamentos rasteiros.
Foi pela Arte, Judas, que busquei sensibilizar-te.
Ela, a Arte, a voz que consegue falar ao coração quando todos os outros meios falharam.
Quando a intelectualidade gerou cisões.
Quando o conhecimento se envaideceu.
Quando a razão tornou-se fria e cética.
Quando a instrução adornou superficialmente a alma, mas não lhe deu alicerces no sentimento puro do amor.
A Arte por vias desconhecidas, por incógnitas que somente cada alma um dia descobrirá, consegue manejar com habilidade a motivação para a renovação; a Arte promoveu as crises salutares que precisavas experimentar, vindo sanear tua intimidade.
Mas observa o que eu gostaria de te mostrar agora…
Jesus, por ectoplasmia, cria uma tela de projeção imensa onde se desenharão cenas incríveis de sua história.
- Observe, amigo este recurso. Passarão dezenove séculos e a Terra conhecerá esta Arte (ele referia-se ao cinema).
Judas enxuga os olhos e apruma-se para assistir.
E a primeira cena que se desenrola na tela é sobre ele mesmo naquela noite no Horto beijando o Mestre, os soldados prendendo o amigo, Pedro enlouquecido cortando a orelha do soldado, Jesus curando o ferido e todo o drama da prisão, do julgamento arbitrário, da via dolorosa, da crucificação, do suicídio do próprio Judas que agora já não pode olhar para a tela.
- Judas, meu amigo, pergunto-lhe novamente, como naquela noite: A que viestes?
Soluçando responde:
- Vim para matar este infeliz.
- Vejo que já não mentes para mim, nem para ti mesmo.
- E o que desejas fazer agora?
- Vou levá-lo comigo e adotá-lo para ensinar-lhe o amor.
- E se ele for tão rebelde a ponto de não ouvir-te?
- Evocarei a Arte para sensibilizá-lo mais e mais…
- Neste momento, Judas, Matheus já organizou vários dos meus ensinos em pequeno resumo para que o mundo conheça a nossa história de amor por todos. Sim, Judas, também lançarei mão da literatura para levar a palavra às ovelhas sedentas da água que cessa a sede. Pela arte, Judas, o passado fica vibrando num eterno presente. A religião é a linguagem mais antiga da Terra; depois veio a Filosofia - a linguagem das reflexões; no futuro uma linguagem chamada Ciência será criada com grande proveito; mas além dos mitos, a Arte será a linguagem Universal de comunicação de alma para alma, de coração a coração, porque a pintura, a escultura e a dança não tem idiomas; o teatro, a literatura e o cinema mostram as dores e as alegrias que são as mesmas em qualquer religião ounacionalidade; a música e a poesia, não dependem da classe social, nem do credo, nem tecnologia para se manifestarem, pois as folhas e o vento compõem, as águas e as pedras igualmente.
Josué chega até os dois amigos e fala:
- Judas, trago esta peça para presentear-te.
Novamente Judas, se emociona, ao ver seu rosto primorosamente acabado.
Jesus interfere:
- Caro Judas, peço guardar também a minha imagem. Toda vez que olhar para ela e estiver pensando em desistir de alguém, lembrarás que eu de ti não desisti e cantarás cantigas de esperança para a alma endurecid; convidarás ela para pintar seus conflitos; irás colocá-la no palco para viver o papel das grandes almas que te antecederam…até que seu coração se dobre ao amor e ao arrependimento. Só assim saberás que não basta arrepender-se e que é preciso reparar toda má ação para voltar as bases do equilíbrio.
Nos veremos, meu caro Judas. Vá e conte aos teus amigos que eu voltei e em breve volto a procurá-los.
E Jesus esvaneceu-se aos olhos de Judas e Josué.
Judas pediu auxílio ao singelo escultor para levarem até sua casa o jovem infeliz.
Enquanto Pedro e outros falavam inspiradamente sobre os ensinamentos do Mestre difundindo o Evangelho. Foi Judas, entre poesias e danças, teatro e músicas, tintas e argilas, que envolveucentenas de almas que se sentiam iguais, irmãs, embaladas pela simplicidade da Arte de viver o amor.
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